quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A Queda do PIN (Gran Finale)

Por Marcelo Lettieri




Foi mesmo uma grande (E FELIZ!) coincidência que, no dia seguinte após escrevermos aqui no Contraponto sobre a inconveniência das restrições pela área de Segurança da Informação da RFB ao livre acesso às redes sociais, estas restrições tenham sido retiradas.

A Receita Federal que já foi referência mundial no uso pioneiro de ferramentas de informática, com emissão de certidões eletrônicas, entrega das Declarações do Imposto de Renda pela Internet, Dossiês Eletrônicos da PJ e Visão Integrada do Contribuinte PF, parecia acomodar-se a uma "leseeeeira" no que se refere aos novos avanços tecnológicos.

Enquanto a Administração Tributária gasta com reuniões caras e geradoras de transtornos recursos que poderiam ir para áreas carentes como a aduana, qualquer grupo de adolescentes promove teleconferências pelo Skype sem gastar um níquel. A retrógrada legislação do Sigilo Fiscal tem levado nossas bases de dados a obsolescência pelo desuso, enquanto grandes coorporações preparam-se para o domínio da informação absoluta.

Parece que a RFB começa a despertar para o novo mundo da informação. Informação tem que fluir ou retrocede à condição de mero dado. O SRF anunciou há poucos dias um novo programa de comunicação. Ainda é cedo para avaliá-lo, mas esperamos que a liberação do acesso às redes sociais na RFB não tenha sido um mero efeito colateral deste programa.


Veja Também:   MEU PIN CAIU Parte III (Paraíso)
                        MEU PIN CAIU Parte II (Purgatório)
                        MEU PIN CAIU (Intermezzo)
                        MEU PIN CAIU Parte I (Inferno)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

MEU PIN CAIU Parte III (Paraíso)

La gloria di colui che tutto move
per l'universo penetra, e risplende
in una parte più e meno altrove.

A língua Oficial de Bananas a partir de hoje será o sueco.
Como medida de higiene os homens deverão trocar as cuecas diariamente.
Paragrafo Único – para possibilitar o controle, as cuecas serão usadas sobre as calças.Personagem de Woody Allen em cena do filme Bananas (1971)

A política de segurança da informação na Receita parece o delírio de poder do Líder Supremo da república satirizada por Woody Allen em “Bananas”. Em primeiro lugar decreta que a comunicação institucional será o Lotus Notes, o que em informática está mais para aramaico que para sueco, em seguida determina regras de acesso estaparfurdas que acabam por inviabilizar a própria comunicação.

Quando de sua implantação, dizia-se que o Notes era usado, além da Receita, por uma grande corporação mundial _ a IBM, dona do produto. Hoje se sabe que ambas persistem no investimento e é possível que alguma outra organização use a maravilha babilônica, se alguém souber quem avise-me.

A RFB é muito ciosa em manter o sigilo dos contribuintes, e dos não contribuintes também. Para saber de dados simples como domicílio fiscal de uma empresa, Autoridade Fiscal não pode acessar os cadastros do órgão sem uma ordem superior, sob pena de ser acusado de ACESSO IMOTIVADO. Entretanto, o mesmo cadastro é fornecido mensalmente à $ERA$A por algum motivo.

Sorte que existe São Google, e conheço muitos colegas motivados que durante fiscalizações o acessam para obter subsídios ao trabalho. O pessoal da pessoa física encontra muitos dados no FaceBook e outras redes sociais. E aqui está o motivo de eu demorar-me para revelar a vocês como abri as portas do céu e resolvi meu problema com o Notes.

No inferno aprendi que fogo combate-se com fogo, telefonema com telefonema, Zé Meio com ZÉ Meio. No meu martírio dantesco e no suplício Telemarketinguiano (eita, neologismo pai d'égua) as máquinas foram meus algozes, agora, iria usá-las para subir aos céus. De meu Zé Meio particular disparei para os Notes da linha hierárquica responsável pelo meu problema. E taí uma vantagem babilônica do Zé Meio corporativo, pude pedir a um colega não condenado à danação os endereços dos colegas ocupantes dos postos de comando da área.

No Zé Meio, coloquei o link para MEU PIN CAIU parte I e MEU PIN CAIU (Intermezzo), e relatei meu purgatório com o texto, ainda inédito, do que seria MEU PIN CAIU parte II. Por telefone liguei para chefe, chefe do chefe, chefe do chefe do chefe, e para o dono da boiada.

Ninguém me atendeu. Estavam todos no que parecia ser um grande conselho de morubixabas, pois, segundo as secretárias, os chefes estavam em reunião. O velho guerreiro aqui resolveu exercer a virtude da paciência enquanto era tratado como velho palhaço pelo pessoal do Help desk.

Para minha surpresa, no dia seguinte de manhã me liga a doce voz de Beatriz dizendo que um grande Cacique queria falar comigo. Cinco Penas de Águia havia acessado o blog e lido meu Zé meio, que ele chamou de Notes, conversamos longamente como velhos conhecidos que éramos e o resultado desta conversa é que logo a seguir ligou-me Quatro Penas, depois Duas Penas e, por fim, Uma Pena que me passou um Havita qualquer que disse que eu não teria de voltar ao inferno, e que meus problemas se acabaram-se. Ainda com medo das Organizações Tabajaras, introduzi meu PIN na máquina computadora e ela, mistério gozoso, abriu a caixa notes, onde encontrei a cópia oculta da cadeia de Zé Meios que resolvera meu problema.

Por coincidência, no dia seguinte, além da Quinta Maravilha da Babilônia, eu e quase toda Receita pode acessar pela rede, do trabalho, o FaceBook.

                      MEU PIN CAIU (INTERMEZZO)
                      MEU PIN CAIU Parte I (INFERNO)