quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O traíra


Nos idos de 1996, durante a gestão do colega Serginho na Alfândega de Confins, a categoria iniciou um movimento reivindicatório. Era uma paralisação com assinatura de ponto.
O Superintendente convocou a todos gestores para uma reunião, retransmitindo as ordens de reprimir o movimento. Foi determinada, inclusive, a remessa de nomes dos que estivessem paralisados. Após diversas argumentações defendendo a manifestação como justa, a resposta foi pronta e seca: “São ordens e devem ser cumpridas. Quem não estiver de acordo, deve pedir exoneração, devendo fazê-lo por escrito e não apenas colocando o cargo à disposição.”
O colega Luiz Sérgio, demonstrando seu desapego à função e o respeito aos colegas e à categoria a que pertence, protocolou o seu pedido de exoneração*.
Traindo a determinação, mas não seus valores, foi o único chefe exonerado em todo o Brasil.

Abaixo-assinado dos colegas da ALF/TAN
(Maio de 1996)

A medida dos Homens é sua postura. Homens há que se sobressaem por suas atitudes, por suas convicções, suas demonstrações de dignidade consigo mesmo e para os seus próximos. As virtudes são comunicadas por atos, sendo mensuradas pelas exposições de si e de suas crenças.
Nós servidores desta Alfândega do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, encontramos em nosso Inspetor, Luiz Sérgio, as demonstrações desta dignidade e deste respeito para conosco, dentro de sua administração.
Dentro destes mesmos princípios foi que, no intuito de defender os servidores desta Alfândega, o sr. Inspetor pediu a sua exoneração. Não concordando com determinações que iam de encontro com as suas convicções, preferiu ele entregar o cargo, já que não tinha mais como estar ao lado dos servidores.
Portanto, vimos pedir ao sr. Superintendente que não aceite o pedido de exoneração de nosso Inspetor, para podermos continuar um trabalho que sempre primou pela defesa dos interesses da Receita Federal e de seus servidores.
 

 
Manifestação da Delegacia Sindical e da Diretoria Executiva Nacional do Unafisco Sindical (Maio de 1996)

No dia 25 último, o Inspetor da Alfândega no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, o AFTN Luiz Sérgio Fonseca Soares, pediu exoneração do cargo, o que foi prontamente aceito pelo Superintendente da 6ª RF.
A DS/BH repudia a substituição feita em pleno movimento reivindicatório dos AFTN, quando as atitudes deveriam ser pautadas em princípios éticos e mais democráticos.
A DEN solidariza-se com o colega Luiz Sérgio Fonseca Soares que foi exonerado por não aceitar as pressões ocorridas em função do movimento.


*Pedido de exoneração:

4 comentários:

  1. ZAELITE DANTAS TEIXEIRA21 de setembro de 2011 17:40

    EXCELENTE! GRANDE E BRILHANTE SERGINHO!!!
    UMA CATEGORIA FORTE MERECE UM SINDICATO FORTE!
    ABS,
    ZAZÁ

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  2. Puxa desde de 1996 só existiu um Serginho. É por estas e por outras que eu não uso placa, nem broche, nem terninho. Amaldiçoado seja o dia 03/08/1999 (o dia da minha posse como AFRFB). É mais fácil ter víboras como amigos do que Auditores-Fiscais. Auditor que corta ponto de Auditor, só no Brasil. Categoria que escraviza o próprio de classe colega não merece aumento.
    Renato Beraldo Padula Filho (AFRFB)

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  3. O Serginho é um pequeno grande homem, mas o que o diferencia é a consciência de que somente com posturas firmes e com abnegação de interesses pessoais poderemos honrar nossa categoria e defender os nossos direitos, dentre eles a RECOMPOSIÇÃO SALARIAL e a MANUTENÇÃO DE NOSSAS ATRIBUIÇÕES.
    Criar uma consciência coletiva é o maior desafio para qualquer direção de entidade.

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  4. Com certeza o colega Serginho é digno de todos os elogios que lhe são dirigidos. Disto não resta resta a menor dúvida. O problema é que o que deveria ser uma postura normal de qualquer AFRFB que se encontre "no poder" se tornou uma honrosa exceção a regra. Para mim está mais do que claro que a carreira está repleta de carreiristas ávidos pelo poder. Que tristeza!!!

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